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Expressão Universitária 06/11/2020

Eleições sindicais: a importância da participação do trabalhador

Com a aproximação de uma nova escolha para a diretoria do Sinsepes, é urgente falar sobre presença da classe na entidade sindical

 

Por Aline Camargo, jornalista

 

Mais uma eleição para a diretoria do Sinsepes se aproxima. No dia 25 de novembro, os servidores filiados ao sindicato são chamados para ir às urnas e escolher os seus representantes para os próximos três anos. O processo sindical coincide com a campanha para as eleições municipais, o que só reforça a importância da participação da comunidade nas decisões que atingem diretamente a vida da sociedade.

 

Com tantos momentos decisivos, é sobre isso que o Sinsepes quer falar: participação. Filiado ou não, as decisões das quais o sindicato participa, assim como as conquistas de direitos, têm efeitos sobre todos os servidores. E é por isso que a participação é tão necessária.  

 

Foi justamente para fortalecer a busca pelos direitos dos servidores da Furb que o Sinsepes nasceu, em 1993. Ex-presidente, o economista e técnico-administrativo Marcel Siebert lembra que, até então, os trabalhadores eram representados pelo sindicato estadual da categoria, com sede em Florianópolis.

 

"Era uma burocracia e na prática não havia representatividade. Nós já tínhamos, e ainda temos, duas associações, a Associação dos Professores da Furb (Aprof) e a Associação dos Servidores da Furb (Asef), que tinham uma função mais de divertimento, mais lúdica, mas que acabavam discutindo temas que não fossem esses, de interesse dos trabalhadores, porque acabavam sendo os lugares de representação”, relembra

 

O entendimento dos trabalhadores de que era necessária uma representação efetiva e local dos interesses dos servidores da Furb fez com que se iniciasse a articulação local que deu origem ao Sinsepes: para organizar socialmente os trabalhadores da instituição, como explica o doutor em Ciências Sociais e professor no PPGDR (Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional), Marcos Mattedi:

 

“Os trabalhadores devem se sindicalizar porque os sindicatos dotam os trabalhadores de uma identidade coletiva. Do ponto de vista coletivo eu não sou professor, cozinheiro, enfermeira, mas eu sou trabalhador, e neste sentido, gerar uma identidade comum”.

 

Conquistas só ocorrem com ação organizada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais do que organizar os trabalhadores, o sindicato atua como mediador, explica Mattedi. A função da entidade se torna multidimensional, na medida em que defende os interesses da classe trabalhadora e precisa atuar, de certa forma, em conjunto com a instituição.

 

“O Sinsepes constitui uma instituição que media interesses. Portanto, tem uma função de mediação, entendida no sentido amplo do tempo. Garantir as condições de trabalho dos servidores da FURB, mas também organizar politicamente os trabalhadores da FURB em função da agenda política nacional. Isto significa que o SINSEPES tem uma função interna e externa a FURB”, analisa.

 

Diante desta perspectiva, o sindicato se tornou imprescindível para que fosse possível negociar e defender os interesses dos trabalhadores diante da direção da instituição – no caso da Furb – ou de empresas dos mais variados segmentos. E foi só assim, afirma Siebert, que as conquistas aconteceram.

 

“Se formos observar a história, todas as conquistas só foram possíveis através da luta organizada. E nenhum dos direitos que ainda resistem ao afã neoliberal se deram sem que os trabalhadores se organizassem através das entidades sindicais e qualquer conquista, ou resistência a perda de direitos, só vai se dar através da entidade sindical”, afirma Siebert, categórico.

 

Participação é saída para o fortalecimento

 

Mobilização dos trabalhadores em prol dos direitos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ex-presidente do Sinsepes pontua os fatores que têm afastado os trabalhadores da participação sindical e destaca o quanto isso é negativo para a construção de uma classe trabalhadora fortalecida. Para Siebert, são pelo menos três os fatores que influenciam esse movimento: a forte campanha contra a atuação dos sindicatos, a falta de comunicação adequada das lideranças e a definição de demandas da categoria.

 

“O duro ataque que as entidades sociais sofrem afeta a opinião das pessoas sobre o trabalho promovido pelo sindicato, mas não é só isso. Algumas pautas (defendidas pelo sindicato) muitas vezes não são as pautas que mobilizam os trabalhadores”, avalia.

 

Já para o doutor em Ciências Sociais Marcos Mattedi, a mudança no padrão predominante de produção também é um fator que influencia na falta de participação dos trabalhadores. Segundo o especialista, a transição da sociedade industrial para a sociedade de serviços tornou mais precários os vínculos trabalhistas, o que dificulta a organização – e a própria identificação como grupo social. “Mais precisamente, o processo de precarização das condições de trabalho, e que tendem a se agravar. Além disso, a crise de todas as instituições de mediação como partidos, escolas, imprensa e, também os sindicatos, provocada pela emergência das mídias sociais”, pontua.

 

O fato é que, mais do que nunca, as classes trabalhadoras precisam retomar o sentido de união que deu origem às organizações pelas busca e garantia de direitos. Para Siebert, a maneira de reconstruir este vínculo – sindicato e trabalhadores – é trabalhando com afinco no dia a dia. “Retomar esse contato é uma diretriz sindical. É necessário fazer um trabalho de corpo a corpo, presente no cotidiano. Claro que é mais difícil com a comunicação virtual fortalecida, mas as diretorias precisam trabalhar de forma geral”.

 

Mas, para além dos trabalhos desenvolvidos internamente pelos sindicatos, Siebert chama a atenção para a atitude dos trabalhadores que, para ele, não percebem que são impelidos a acreditar que direitos trabalhistas são benesses de um patrão ou governo benfeitor.

 

“Tudo (que foi conquistado pelos trabalhadores) é fruto de uma luta de muitas décadas que possibilitou que tivéssemos direitos garantidos. Não tem jeito, a organização é a forma mais prática e objetiva de nos defender e de reagir ao processo crescente de retirada dos direitos conquistados pelas classes trabalhistas”, destaca.

 

Em 2020, 423 servidores filiados ao Sinsepes estão aptos a votar. São eles que vão definir os representantes de todos os servidores da Furb para os próximos três anos. Aos que não são filiados, há várias formas de participar do sindicato até a próxima eleição: conhecendo a gestão, dando sugestões, acompanhando as assembleias e entendendo a importância do trabalho feito pelos servidores que decidiram dedicar parte do seu tempo a defender os interesses dos colegas de trabalho. E, claro, tornando-se um filiado ao Sinsepes. Para saber como, basta clicar aqui.

palavras chaves: SinsepesSindicatoEleições

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